142 municípios do Rio Grande do Sul afirmam enfrentar falta de óleo diesel. O cenário de escassez ocorre em um contexto de pressão no mercado de combustíveis proveniente da guerra no Oriente Médio e já obrigou prefeitos a suspender obras e atividades dependentes de maquinário para racionalizar o combustível.
Serviços na área da saúde, como o abastecimento de ambulâncias para o transporte de pacientes, estão sendo priorizados, enquanto o transporte escolar e a coleta de lixo em diversas cidades são revistos. Caso o cenário se mantenha, outros serviços essenciais também podem ser afetados.
O questionário da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) foi respondido por mais de 300 prefeituras. “Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisamos de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal”, alertou a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai (RS), Adriane Perin de Oliveira.
Defasagem
O diesel brasileiro é comercializado com o preço 74% mais barato que o praticado no exterior. Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), indicam que essa defasagem equivale a R$ 2,68.
Quem define o preço do combustível cobrado pelas refinarias das distribuidoras é a Petrobras. Para a Abicom, apesar da estratégia ser inicialmente benéfica ao consumidor, que encontra combustíveis mais baratos no mercado interno, a situação desincentiva a produção e o refino em solo nacional, o que leva à redução da oferta dos produtos e amplia o risco de desabastecimento. A tendência é que as localidades mais afastadas de grandes centros de distribuição sejam as mais impactadas.
O último aumento anunciado pela estatal brasileira sobre o diesel foi no dia 14 de março. O reajuste de R$ 0,38 por litro aconteceu um dia após o governo federal divulgar a isenção do PIS-Cofins sobre o combustível, além de um subsídio para produtores e importadores nacionais e ações de fiscalização para garantir a efetividade das medidas. A expectativa é de uma redução de R$ 0,64 por litro de diesel.
Preços
O preço dos combustíveis no Brasil está em alta pela terceira semana consecutiva, conforme pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP). Desde que a guerra começou, a alta foi de 20,4% para o diesel e de 5,9% para a gasolina. O preço médio do litro do diesel no Brasil saiu de R$ 6,03 na semana até 28 de fevereiro, dia em que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, para R$ 7,26 na última semana, encerrada no último sábado (21).
O conflito jogou pressão sobre os estoques existentes no país e sobre a Petrobras, principal fornecedora do mercado interno. A agência informa que o volume de combustíveis importado caiu quase 60% na primeira quinzena de março deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 30% do diesel consumido no país e 10% da gasolina vêm de fora.
Álvaro Couto
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