Nas ruas de Campala, capital de Uganda, ônibus elétricos produzidos localmente se tornam parte do dia a dia e marcam o avanço do país em direção a um transporte urbano mais sustentável. Os veículos, modelo Kayoola com 40 lugares e conexão Wi-Fi, representam um projeto que começou em 2016, quando foi apresentado o primeiro ônibus elétrico movido a energia solar da África.
A liderança da iniciativa é da Kiira Motors Corporation (KMC) e sua subsidiária. Atualmente, 16 ônibus operam na cidade, e esse número deve subir para 45 em um mês. A meta nacional é fabricar mais de 1,5 mil unidades no próximo ano e chegar a 15 mil veículos elétricos em circulação até 2030, com o objetivo de transportar diariamente mais de 5 milhões de pessoas.
Para viabilizar a mudança, o governo reformula o trânsito com faixas exclusivas para ônibus, remove vagas de estacionamento no centro e abre espaço para a iniciativa privada participar do setor. Os ônibus elétricos trazem vantagens econômicas: há economia de mais de 60% nos custos de energia, o investimento é recuperado em cerca de três anos, e as baterias, que duram 12 anos, podem ser reaproveitadas para armazenar energia solar. As baterias são importadas da China, e a KMC conta com parcerias chinesas para desenvolver conhecimento técnico local.
Além do mercado interno, Uganda já levou sua solução para outros países: um ônibus elétrico percorreu 13 mil km por cinco nações africanas, com o objetivo de demonstrar a qualidade do produto e incentivar o uso de transporte limpo. Para as autoridades, o projeto representa também autonomia tecnológica, permitindo que a África crie suas próprias soluções de mobilidade a custos acessíveis.
Fonte: Xinhua / Matéria Resumo - Geilson Costa

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