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Economia brasileira vive cenário de “equilíbrio precário”, avalia IFI.





 

A economia brasileira atravessa um momento definido como de equilíbrio precário, conforme análise da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal. A conclusão está no Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), documento mais recente da entidade, divulgado na última quinta-feira, dia 21 de maio de 2026.

Segundo a IFI, o sistema fiscal atual se mantém apenas porque o governo consegue cumprir as metas estabelecidas ao usar dispositivos legais específicos. Essas regras permitem excluir certos tipos de despesas do cálculo do resultado primário — o valor que mostra se o país gastou mais ou menos do que arrecadou. Além disso, há uma margem de tolerância prevista em lei: mesmo que não atinja exatamente o resultado desejado, o governo continua dentro da meta fiscal se permanecer dentro dos limites permitidos.

Mesmo com esses mecanismos, a instituição alerta que os déficits primários continuam acontecendo com frequência. Na prática, isso significa que as despesas ainda são maiores que a arrecadação, enquanto a dívida pública segue numa trajetória de crescimento que preocupa os analistas.

O cenário internacional também interfere nas contas do Brasil. Os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço do petróleo e de seus derivados abriram espaço para medidas de proteção econômica, renúncias fiscais e concessão de benefícios. Essa situação ajudou inclusive em discussões importantes, como o fim da chamada “taxa das blusinhas”, e criou uma folga que facilitou o cumprimento das metas fiscais definidas para 2026.
Para os diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade, a proximidade do período eleitoral torna muito difícil a adoção de medidas mais profundas de ajuste nas contas públicas.

“Além da votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027 (PLDO 2027) e da Lei Orçamentária Anual (LOA 2027), teremos apenas decisões inevitáveis, como a regulamentação do Imposto Seletivo (IS). Essa nova tributação vai substituir, no próximo ano, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como previsto na Reforma Tributária”, explicam os diretores.

Eles completam que qualquer reestruturação mais ampla das contas e do orçamento federal deve ficar para o próximo mandato presidencial.

Previdência continua como principal pressão orçamentária

Mesmo após a reforma estrutural aprovada em 2019, os gastos com o Regime Geral da Previdência Social (RGPS) voltaram a crescer em valores reais a partir de 2021. Conforme dados do relatório, só em 2025 esses gastos corresponderam a 8,1% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) do país e a 42,9% de todas as despesas primárias da União.

O aumento no número de aposentadorias, tanto na área urbana quanto rural, além da expansão de benefícios como o auxílio por incapacidade temporária, reforça a pressão que essas despesas causam sobre o orçamento. Para a IFI, diante do envelhecimento da população brasileira e do peso cada vez maior da Previdência nas contas públicas, esse tema deve permanecer no centro dos debates econômicos nos próximos anos.

Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias 2027


O relatório da IFI também analisa o PLDO 2027, que precisa ser votado e aprovado pelo Congresso Nacional até o dia 17 de julho de 2026. A instituição avaliou todos os indicadores usados pelo governo para elaborar a proposta: projeções de crescimento da economia, inflação, taxa básica de juros, câmbio, arrecadação de impostos e índice de desemprego.

Também foram analisadas as estimativas fiscais calculadas a partir desses dados, incluindo previsões de receitas, despesas, resultado financeiro e evolução da dívida pública.

O desafio fica ainda maior quando se observam as metas definidas para os próximos anos:
  • 0,5% do PIB em 2027;
  • 1,0% do PIB em 2028;
  • 1,25% do PIB em 2029;
  • 1,5% do PIB em 2030.
“É inevitável apontar que os indicadores econômicos usados pelo governo para embasar os números do PLDO 2027 são muito mais otimistas do que os adotados pela própria IFI”, destacam Pestana e Andrade.

Os diretores explicam ainda que essas diferenças nas projeções — sobre inflação, crescimento, juros e câmbio — geram resultados muito distintos na hora de estimar quanto vai ser arrecadado, quanto será gasto, qual será o resultado financeiro e como a dívida vai se comportar nos próximos anos.

O relatório completo da Instituição Fiscal Independente pode ser consultado diretamente no portal oficial da entidade.

Fonte: Instituição Fiscal Independente (IFI)

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