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Aumento de mortes violentas no RN reflete disputa entre facções, confirma Sesed.






A Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed) classificou como dinâmico e ligado diretamente à reorganização de grupos criminosos o aumento de 19,6% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) registrado entre 2024 e 2025. O percentual é o maior do país, num momento em que o Brasil registrou queda de 8,2% no mesmo indicador.

Em nota oficial divulgada na quarta-feira (22), a pasta alerta que o crescimento pontual não apaga uma trajetória de 14 anos de redução consistente da violência no estado. O cenário atual, porém, revela uma nova configuração de forças, com reflexos mais fortes em Mossoró e na região Oeste.

Dados mostram reversão e alta entre jovens


Os registros da Coine/Sesed apontam que os casos passaram de 750 em 2024 para 853 em 2025. O crescimento mais alarmante ocorre entre crianças e adolescentes: saltou de 24 para 60 vítimas, alta de 153,9%.

Em Mossoró, a mudança é ainda mais nítida. Após registrar 78 mortes violentas em 2025 — o menor número desde 2011 — a cidade já contabilizava 86 vítimas até meados de julho de 2026. No primeiro semestre, o aumento chegou a 78,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. A maioria dos crimes tem características de execuções e acertos de contas por disputa de território e comércio ilícito.

Três grupos definem o confronto


A Sesed confirma que a escalada está ligada à disputa entre três organizações:
  • SDC (Sindicato do Crime): Facção histórica do RN, que vem perdendo espaço e integrantes;
  • CV (Comando Vermelho): De origem carioca, avança rápido no estado e concentra ações em Mossoró;
  • PCC (Primeiro Comando da Capital): Atua de forma estratégica, alternando parcerias e confrontos conforme o interesse.
  • A localização do RN, próxima a rotas de drogas e armas, torna o território alvo prioritário para a expansão nacional dessas estruturas.

Ações de segurança são reforçadas


Para conter o avanço, a Sesed mantém operações contínuas, transferência de líderes presos, combate ao uso de celulares em unidades prisionais e investimentos no programa Município Mais Seguro. Em Mossoró, já foram liberados R$ 1,2 milhão para compra de equipamentos.

À pasta, o aumento é consequência natural da reconfiguração do crime organizado — e não falha nas políticas de segurança. O estado segue entre os que mais reduziram a violência nos últimos anos, mas exige ajustes constantes na estratégia.



Fontes consultadas:
  • Sesed — nota oficial de 22/07/2026 e dados da Coine
  • Tribuna do Norte — reportagens de 22/07/2026 e 01/05/2026
  • G1 RN — levantamento de dados de 23/07/2026
  • Agora RN — matéria de 01/07/2026


Por Redação Geilson Costa

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