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Onda de calor na Europa atinge recordes e deve persistir nos próximos meses.




Desde o final de maio de 2026, a Europa enfrenta sucessivos eventos de calor extremo, com valores muito acima da média histórica, que afetam mais de 26 países e cerca de 100 milhões de pessoas. Os dados são do Centro Regional de Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial, dos serviços nacionais de meteorologia e do programa Copernicus de Alterações Climáticas.

Em maio, entre os dias 21 e 30, as temperaturas chegaram a ficar 10 graus Celsius acima da média habitual para o período. Na França, a média nacional atingiu 24,4 graus Celsius no dia 25, o maior valor já registrado para um mês de maio, com pico de 37,1 graus na região de Landes. No Reino Unido, a estação de Kew Gardens, em Londres, registrou 35,1 graus Celsius no dia 26, superando o recorde anterior de maio que datava de 1944. Também foram registradas marcas inéditas em Portugal, Espanha, Itália, Áustria, Irlanda e Países Baixos.

No final de junho, uma nova onda de calor, impulsionada por uma massa de ar de alta pressão denominada cúpula de calor, elevou ainda mais os termômetros. No dia 24, a média nacional da França chegou a 30 graus Celsius, o maior valor já registrado em qualquer época do ano no país, com picos de até 44,3 graus. Em áreas da Espanha e de Portugal, os valores aproximaram-se de 46 graus Celsius. Na Alemanha, Suíça, Bélgica e Itália, diversas localidades ficaram em alerta vermelho, com temperaturas acima de 40 graus em vários dias consecutivos. No Reino Unido, a cidade de Gosport registrou 36,1 graus no dia 27, novo recorde para o mês de junho.

Os impactos já registrados incluem consequências para a saúde, infraestrutura, energia e meio ambiente. Até o momento, as autoridades de saúde estimam mais de 1,3 mil mortes relacionadas ao calor em todo o continente, sendo 101 apenas na Espanha no mês de maio, o maior número já contabilizado para esse mês desde o início do monitoramento em 2015. Centenas de pessoas deram entrada em hospitais com casos de insolação, desidratação e complicações respiratórias ou cardíacas.

No setor energético, usinas nucleares da França e da Suíça reduziram a capacidade de operação ou interromperam temporariamente alguns reatores, pois a água dos rios utilizada para resfriamento apresentou temperatura acima do limite permitido. A demanda por energia elétrica cresceu significativamente em razão do uso de aparelhos de refrigeração, enquanto a geração eólica diminuiu em algumas regiões por causa da calmaria atmosférica.

O transporte público também sofreu interrupções. Trilhos de ferrovias sofreram deformações térmicas na França, Alemanha e Reino Unido, causando atrasos e cancelamentos de viagens. Em algumas rodovias, o asfalto apresentou amolecimento, exigindo redução de velocidade. Mais de 1,3 mil escolas na França tiveram aulas suspensas ou alteraram os horários de funcionamento.

A probabilidade de noites tropicais — quando a temperatura mínima não desce abaixo de 20 graus Celsius — permanece alta em grande parte da Europa do Sul e Central, dificultando o resfriamento dos ambientes e aumentando os riscos à saúde. Os níveis de alerta para incêndios florestais estão classificados como muito alto ou extremo em regiões de Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia.

Para os próximos dias, há uma pequena redução temporária das temperaturas em partes da Europa Ocidental, mas novas elevações são esperadas a partir do início da próxima semana, com foco na Europa Central e nos Bálcãs. As projeções do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo indicam que as temperaturas devem permanecer entre 2 e 3 graus acima da média histórica durante todo o mês de julho e agosto, com possibilidade de novos picos na Península Ibérica, França, Itália e áreas do Mediterrâneo.

Os especialistas associam a intensidade e a frequência crescentes desses eventos ao aquecimento global, ressaltando que a Europa aquece aproximadamente o dobro da média mundial, com taxa de 0,56 graus Celsius por década. Também há influência de padrões atmosféricos estagnados e do fenômeno El Niño.

As autoridades de mais de 20 países mantêm recomendações à população: evitar atividades ao ar livre no período entre 11 e 17 horas, manter hidratação constante, verificar regularmente a situação de idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, e não deixar pessoas ou animais dentro de veículos fechados. 

A Comissão Europeia reforçou a cooperação transfronteiriça para resposta a emergências sanitárias e orientou governos a adotarem medidas de resfriamento em edifícios públicos e áreas de trabalho.

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Por Redação / Geilson Costa

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