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Previsão de ciclones que salva vidas ainda é subutilizada, alerta Organização Meteorológica Mundial






A tecnologia capaz de prever com precisão o risco real de ciclones tropicais e evitar milhares de mortes já existe — mas mais da metade dos países do mundo ainda não a utiliza de forma adequada. O alerta é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em comunicado divulgado nesta segunda-feira (20/7), com base em análise de dados de 78 nações.

A ferramenta, chamada de previsão probabilística, calcula a chance de impacto em cada região, separando riscos de ventos fortes, maré de tempestade e chuvas intensas — diferente dos avisos tradicionais, que mostram apenas uma trajetória provável como se fosse uma certeza. Mesmo assim, apenas 43% dos países analisados adotam o sistema na prática.

“O problema não é falta de tecnologia. Os modelos já entregam dados detalhados e confiáveis, mas não conseguimos transformar essa informação em proteção para a população”, destaca a OMM. A entidade constatou que só 56% dos países que já usam a ferramenta ofereceram formação adequada às equipes, e menos da metade sabe traduzir números complexos em avisos claros para todos.

Como funciona e por que é melhor

Os avisos atuais costumam dizer algo como: “O ciclone tocará terra em Natal, com ventos de 120 km/h”. Mas pequenas variações na atmosfera podem desviar a tempestade dezenas de quilômetros — e mudar todo o cenário. Além disso, o famoso “cone de incerteza” dá a falsa impressão de que o risco é igual para todas as cidades dentro da faixa desenhada.

Já a previsão probabilística roda dezenas de simulações com pequenas alterações nos dados iniciais, mostrando exatamente qual a chance de cada local ser atingido.

Por exemplo:
  • Natal e Parnamirim: 75% de risco de passagem próxima
  • Extremoz e Ceará-Mirim: 45% de chance de impacto
  • Baía Formosa e Goianinha: 30% de probabilidade
Para facilitar a compreensão, os mapas usam cores que correspondem ao nível de perigo:

🟢 Verde: menos de 30% de chance de problema
🟡 Amarelo: 30% a 60% de risco
🟠 Laranja: 60% a 90% de risco
🔴 Vermelho: mais de 90% de chance de impacto

O que fazer em cada situação


Com essa informação mais clara, cada pessoa sabe como agir:
🟢 Risco baixo: fique de olho nos avisos, não vá ao mar ou a rios, e guarde objetos soltos que podem voar.
🟡 Risco médio: mantenha o celular carregado, salve o número da Defesa Civil (199), separe documentos e remédios essenciais, e evite viagens para a costa.
🟠 Risco alto: prepare água, comida e lanternas; fique longe de janelas; se morar em área baixa ou perto de rios, deixe tudo pronto para sair a qualquer momento.
🔴 Risco muito alto: siga imediatamente as orientações das autoridades — se pedirem evacuação, não recuse. Vá para casa de parentes em lugar seguro ou para o abrigo indicado.

Passos para ampliar o uso


A OMM pede três medidas prioritárias para aproveitar todo o potencial da tecnologia: capacitar equipes de meteorologia e defesa civil, padronizar a comunicação com mapas e porcentagens, e cruzar dados de previsão com informações de locais mais vulneráveis.

No Brasil, o INMET já usa o modelo probabilístico internamente, mas ainda não adota o formato completo nos avisos ao público. Com as mudanças climáticas tornando os ciclones mais frequentes e fortes, a adoção geral da ferramenta pode reduzir em até 40% as mortes causadas por esses fenômenos nas próximas duas décadas.

Por Redação Geilson Costa

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