Dois caminhões do Programa Mundial de Alimentos (WFP), da Organização das Nações Unidas, foram destruídos em um ataque aéreo no Estado de Cordofão do Sul, no Sudão, levando à perda de mais de 50 toneladas de alimentos essenciais que sustentariam pelo menos 5,8 mil civis em situação de fome extrema durante um mês inteiro.
O bombardeio ocorreu no domingo, 30 de agosto, nas proximidades do vilarejo de Dilling, quando o comboio seguia em direção a Kadugli, capital estadual. As viaturas atingidas exibiam de forma visível bandeiras e insígnias oficiais da agência, sendo devidamente identificadas como missão humanitária.
A carga perdida era composta por cereais, ervilhas amarelas, óleo vegetal e sal — itens destinados a populações que já vivem em níveis críticos de insegurança alimentar. Somente na região de Kadugli, o WFP atende cerca de 58 mil pessoas em situação de emergência.
Em comunicado oficial divulgado a partir de Genebra, o WFP condenou com veemência o ataque e ressaltou que a ocorrência representa o oitavo ataque aéreo contra suas instalações ou operações no Sudão registrado desde o início de 2026. O número demonstra o elevado grau de risco enfrentado por trabalhadores humanitários no país.
A agência da ONU reforçou, ainda, que agressões contra equipes e bens de ajuda humanitária constituem violação do Direito Internacional Humanitário e exigem o fim imediato. Os dados da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) indicam que, entre janeiro e junho deste ano, cerca de 1,1 mil civis morreram apenas em ataques realizados por drones no território sudanês.
Contexto da crise
O conflito no Sudão, iniciado em 15 de abril de 2023, opõe as Forças Armadas do Sudão (SAF) aos paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF). Estima-se que os confrontos já tenham causado dezenas de milhares de mortes e provocado o deslocamento de aproximadamente 13 milhões de pessoas, configurando-se como uma das piores crises humanitárias da atualidade.
Fonte: ONU News
Por redação Geilson Costa

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